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'Não se envolvia em briga', diz irmão de lutador de MMA morto no RN


Guilherme Matos Rodrigues, de 30 anos, morreu no hospital (Foto: Arquivo Pessoal )A família do lutador de MMA Guilherme Matos Rodrigues, de 30 anos, não sabe o que pode ter motivado o assassinato do atleta, morto na madrugada desta quarta-feira (12) após ser baleado em uma lanchonete na Grande Natal. É o que diz o irmão da vítima, Gilson Matos Rodrigues, que não acredita nas suspeitas da Polícia Civil de que a morte esteja relacionada a uma briga em uma boate ou ao processo que o lutador responde por furto. "Sabia tudo da vida do meu irmão. Era um cara que não se envolvia. Não temos ideia do que aconteceu", afirmou ao G1 nesta quarta-feira (12).

Gilson explica que a confusão na boate citada pela Polícia Civil de fato ocorreu, porém o lutador só teria impedido que batessem em um amigo, também lutador. "Além disso, a pessoa que se envolveu na confusão não era filho do dono da boate, era um cliente. Depois tudo ficou esclarecido", diz.

Sobre a linha de investigação que relaciona a morte de Guilherme a um processo que ele responde na Justiça potiguar, Gilson conta que o irmão "não tinha mais envolvimento com nada". De acordo com o irmão do lutador, a morte de Guilherme abalou a família. "Estamos todos abalados. A maioria da família é de Belém, no Pará, e já está vindo para Natal", conclui Gilson Matos Rodrigues.


De acordo com o delegado Frank Albuquerque, responsável pela investigação do caso, Guilherme Kioto, como era mais conhecida a vítima, teria se envolvido em uma briga com o filho do dono de uma boate localizada na praia de Ponta Negra, na zona Sul da capital. “Nos disseram que o Guilherme, juntamente com outro lutador, agrediram o filho do dono desta boate”, afirmou o delegado. “Essa briga pode ter motivado o crime. É uma possibilidade que já estamos apurando”, confirmou.

Ainda segundo Frank Albuquerque, que é titular da 2ª Delegacia de Polícia de Parnamirim, este outro lutador, o empresário e o filho dele devem ser intimados para prestar esclarecimentos assim que forem localizados. Quando teria acontecido a suposta briga, os nomes dos envolvidos - assim como o nome do dono da boate - não foram revelados para não atrapalhar as investigações.

Além da possibilidade de vingança, o delegado revelou que existe uma outra linha de investigação que não pode ser descartada. “O Guilherme já foi envolvido em furtos de toca CD e toca fita de carro. Isso foi há alguns anos, mas também é algo que temos que considerar”, ressaltou.

Vídeo
Imagens gravadas pelas câmeras de segurança (veja vídeo ao lado) da lanchonete Mania de Açaí, onde Guilherme Kioto foi baleado, mostram a correria causada pelos disparos que o atingiram. O vídeo não mostra quando o lutador é baleado, o que aconteceu às 23h16, nem o suspeito de ter efetuado os disparos. As imagens mostram apenas a confusão que se formou durante os tiros. As pessoas que estavam no estabelecimento correm para se esconder.
Por último, as imagens mostram um homem que, segundo o dono do estabelecimento, seria um policial que estava a paisana correndo atrás do suspeito. Ele teria atirado contra o criminoso, mas os disparos não atingiram o homem.
O crime
Guilherme Kioto foi atingido por tiros de pistola calibre 380 em uma lanchonete de açaí que fica na avenida Ayrton Senna, em Nova Parnamirim. Os suspeitos fugiram em uma motocicleta. O crime aconteceu no final da noite desta terça-feira (11). Guilherme ainda foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante a madrugada desta quarta (12) no Pronto-Socorro Clóvis Sarinho.
Segundo informações do sargento Reinaldo Santos, do 5º Batalhão da PM, um dos suspeitos estava encapuzado. "Ele saltou da moto e foi de encontro à vítima. Chegou perto e efetuou os disparos", relatou o policial. O sargento disse ao G1 que Guilherme estava acompanhado de um grupo de amigos da academia Pitbull Brothers, onde treinava.
Luiz de França
Luiz de França foi assassinado dentro de academia em Natal (Foto: Luiz de França/Arquivo pessoal)
Luiz de França foi assassinado dentro de academia
em Natal (Foto: Luiz de França/Arquivo pessoal)
Este é o segundo caso de violência contra lutadores de MMA nesta semana na Grande Natal. Para a polícia, os casos não têm ligação.

Na manhã da segunda-feira (10), o professor e lutador Luiz de França Sousa Trindade, de 25 anos, foi morto na calçada da academia Alta Performance, no conjunto Cidade Satélite, na zona Sul de Natal. O único suspeito até o momneto é o tenente da Polícia Militar Iranildo Félix, que nega participação no crime. O professor de artes marciais Ademir Júnior, conhecido como 'Júnior Sustagen', também foi baleado. Uma das balas atingiu as pernas dele durante o atentado. Em entrevista exclusiva ao G1, o professor disse que teve sorte de não ter se ferido gravemente e pede justiça.

De acordo com o delegado Sílvio Fernando, a polícia trabalha com duas hipóteses. Uma delas é decrime passional. “Podemos estar diante de um crime passional. Temos informações de que o lutador teria se envolvido com a namorada do tenente. Ela ainda será ouvida”, afirmou. A outra suspeita da Polícia Civil é que um desentendimento entre o PM e o lutador de MMA possa ter motivado o crime. A defesa do tenente Iranildo Félix confirma que os dois se desentenderam, mas alega que o caso não foi grave. "Houve um desentendimento, mas nada muito grave. Não houve discussão mais pesada, nem agressão física", explica a advogada Juliana Melo.

De acordo com a defesa, o policial fez uma aula experimental no fim de janeiro na academia Alta Performance, onde o lutador foi assassinado, porém não gostou do treinamento. A advogada diz que quando foi para o segundo treino o tenente decidiu não continuar e por já ter feito o pagamento adiantado da mensalidade, teve o dinheiro devolvido. "A mudança foi para uma academia da mesma rede. Se tivesse sido expulso, o oficial não poderia fazer isso", acrescenta.

Ainda segundo Juliana Melo, o tenente acredita que foi apontado como suspeito do crime devido ao desentendimento na academia e pelo fato de ser policial. "Os dois não tiveram mais nenhum tipo de contato após esse desentendimento. O oficial inclusive bloqueou a vítima nas redes sociais para não ter mais contato", afirma a advogada.




Fonte: G1/RN