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Paraíba é 2ª colocada em sobrevivência de pequenas empresas


O paraibano José Miguel da Silva Sobrinho, de 39 anos, deixou sua terra natal aos 16 para trabalhar na cozinha de renomados restaurantes do Rio de Janeiro e de Brasília. De origem humilde, Silva Sobrinho trocou de Estado para melhorar de vida e reforçar as economias. Na época, conta, o Nordeste estava carente de oportunidades.
Há cinco anos, contudo, ele viu em João Pessoa (PB) uma cidade em ascensão para investir o dinheiro economizado e a experiência adquirida durante o período em que trabalhou fora do Estado. Decidiu abrir a pizzaria Arte da Pizza. “Quis levar meu conhecimento para minha terra natal. A raiz fez todo diferencial para o negócio”, considera ele.
O início não foi fácil. O projeto era de uma pizzaria a la carte, como os restaurantes tradicionais de São Paulo. Os paraibanos, no entanto, estavam acostumados a comer em rodízios. “Os primeiros seis meses foram muito difíceis. Fizemos muito marketing na rua com degustação para atrairmos e fidelizarmos nossos clientes”, recorda o empreendedor.
A pizzaria — que inicialmente comportava 60 lugares — hoje tem espaço para 134 pessoas e, a partir do ano que vem, vai atender cerca de 180 clientes. A expansão, segundo o empresário, se deve, em grande parte, ao potencial empreendedor da Paraíba, especialmente da zona sul de João Pessoa.
“Os restaurantes estão muito concentrados ao redor da praia. Quis explorar outros locais para atender uma demanda carente de gastronomia”, afirma Silva, que prevê expansão do negócio com a Copa do Mundo de 2014. Segundo o Ministério do Turismo, a Paraíba é o 14º destino mais procurado em viagens domésticas.
O caso de sucesso da Arte da Pizza não é isolado. Segundo censo realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Paraíba é o segundo Estado com maior índice de sobrevivência do País, com 80,5% das micro e pequenas empresas ultrapassando os dois primeiros anos de vida, atrás de Minas Gerias, com 81,5%.
A diferença é que, enquanto o Sudeste tem média de sobrevivência de 78,1% — acima da média nacional de 75,2% —, a Nordeste tem média de 71,5%. Ou seja, a Paraíba é a segunda melhor colocada no ranking, dentro da segunda pior região do levantamento (atrás do Norte, com 68,9%).
Sempre que falamos sobre a taxa de sobrevivência das empresas, verificamos que a atitude do empreendedor é o grande diferencial
Essa contradição tem explicação, segundo Luiz Barretto, presidente do Sebrae Nacional: "A Paraíba se destaca no conjunto da região, em parte, porque nos últimos anos o setor da construção civil apresentou uma evolução relativa mais positiva. As empresas paraibanas da construção têm uma taxa de sobrevivência de 77%, o que foi determinante para a melhora da taxa de sobrevivência média das empresas daquele Estado."
Além disso, explica Barretto, o Nordeste foi caracterizado durante muito tempo pelo empreendedorismo por necessidade. E com a melhora da economia, esses empreendedores fecharam suas empresas e decidiram trabalhar como profissionais assalariados, contribuindo para o índice de mortalidade da região.
Para Geraldo Lopes, economista do Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual da Paraíba (Ideme), também contribui para o resultado a descentralização econômica. "Muitas indústrias estão abrindo unidades fabris na região e adicionando valor ao Estado. Há desde fábricas de cimento, até de eletrodomésticos", afirma, sem citar nomes.
PIB da Paraíba
Não obstante, o Produto Interno Bruto (PIB) da Paraíba vem crescendo acima da média nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011 o Estado cresceu 5,6% em relação ao ano anterior. Já o Brasil, teve expansão de 2,7% no mesmo período.



Fonte: Ig