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Projeto da UFRN ajuda produtores do interior a superar dificuldades da seca


Um projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) tem ajudado produtores do interior a superar as dificuldades impostas pela seca. Formada por alunos e professores, a Incubadora de Projetos em Economia Solidária (Ipês) pretende tornar as associações rurais do Seridó norte-rio-grandense mais competitivas no mercado, melhorando seus processos de gestão. A atividade de extensão conta com a participação de voluntários do Curso de Administração do Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres), que fica em Currais Novos, cidade da região Seridó.

Idealizadora e coordenadora do programa, a professora Márcia Cristina Alves percebeu que o trabalho seria importante para o desenvolvimento econômico e social do Seridó porque, segundo ela, as associações rurais da região estavam muito fragilizadas e precisavam de apoio, como é o caso do Povoado da Cruz, comunidade pertencente a Currais Novos, cuja principal atividade econômica é a produção de polpa de frutas.

A seca afetou a lavoura e a maior fonte de renda da população do Povoado da Cruz. Com o açude secando, os 27 agricultores do povoado viram a produção despencar. A cooperativa local que faz as polpas recebia uma tonelada de frutas por dia e agora recebe 600 quilos por semana. “A situação é crítica. Desde que iniciamos a produção de polpas, em 2004, nunca passamos por algo parecido”, observa a presidente e fundadora da associação, Íris Lucimar da Silva Araújo.

De acordo com a professora Márcia Alves, o programa tem buscado reunir dados sobre as associações rurais existentes. “Ainda não existe um mapeamento do que é produzido pelas comunidades e isso dificulta o planejamento de ações”, afirma Márcia Alves. Os dados, segundo ela, vão permitir que a equipe da UFRN conheça as necessidades das associações e possa atuar junto ao governo na busca por políticas públicas direcionadas aos grupos da região.

“Nosso projeto não é de fomento, nós não temos dinheiro para solucionar os problemas desses produtores. O intuito é repassar nosso conhecimento através de intervenções, como facilitadores”, explica a estudante Laíse Lima, que auxilia a coordenação do projeto. Nas reuniões com a equipe, os produtores percebem a conjuntura do grupo e tentam solucionar os problemas dentro de suas possibilidades. “Não adianta apresentar fórmulas mágicas. A participação da comunidade nos processos de mudança é imprescindível”, avalia Laíse.

Incubadora de Projetos em Economia Solidária conta com participação de voluntários em Currais Novos (Foto: Wallacy Medeiros)
Incubadora conta com participação de voluntários
(Foto: Wallacy Medeiros)
Crianças e adolescentes
             
Uma necessidade identificada pela equipe do programa foi a de atuar junto aos filhos dos produtores. De início, trabalhou-se a questão ambiental por meio de oficinas de reciclagem de garrafas pet nas escolas. “O material foi transformado em brinquedos para as crianças, fazendo com que trabalhássemos a preservação do meio ambiente de forma lúdica”, comenta a estudante Carla Dantas.

Atualmente, os voluntários estão aplicando questionários para identificar as necessidades dos jovens. “A ideia é continuar com essas oficinas e criar um grêmio nas escolas para que os próprios alunos possam organizar atividades”, diz a universitária Fabrícia da Costa Silva.

Nascida na zona rural do Seridó, Fabrícia se identifica com as ações do projeto. “Vi nesse programa de extensão uma oportunidade de ajudar o desenvolvimento da minha região”, ressalta.

Produtores do Povoado da Cruz tentam superar dificuldades impostas pela seca (Foto: Wallacy Medeiros)Produtores do Povoado da Cruz tentam superar dificuldades impostas pela seca (Foto: Wallacy Medeiros)
Administração Social
O contato com as associações tem influenciado a escolha dos universitários. Participante do programa, o estudante Giovani Cavalcanti decidiu que vai focar seus estudos na administração social. “Quero que meu trabalho traga o bem para todos”, enfatiza o caicoense. A opinião é compartilhada pelo colega Diego Guerra. “O mais interessante para o administrador é promover o desenvolvimento local”, acredita.
Por meio da atividade de extensão, Natália Dantas desenvolveu afinidade com a economia solidária. “A gente aprende muita coisa com as comunidades e enxerga uma realidade que não conhecia”, analisa. “Trabalhar com associações é muito atrativo”, destaca a universitária Camila Brandão, que pretende trabalhar no terceiro setor.


Fonte: G1/RN